Com um ritmo um pouco melhor do
que o longa anterior, Alice Através do
Espelho nos leva de volta ao País das Maravilhas, um mundo que, apesar de
mágico, colorido e imaginativo, infelizmente parece ainda não refletir essas características
nas jornadas investidas pela protagonista. Embora muito menos entediada como
personagem, Alice se depara novamente com uma aventura burocrática, que carece
de criatividade no roteiro em quantidade diametralmente oposta àquela vista na
sua concepção visual. E a decepção só fica maior ainda quando o filme passa a
lidar com viagens no tempo, e desperdiça o ótimo potencial que esse tipo de
história pode gerar.
terça-feira, 31 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
X-MEN: APOCALIPSE
A força dos filmes X-Men nunca residiu apenas em seus
méritos técnicos, ou unicamente em figuras emblemáticas, mas sim numa pauta que,
transferida da nossa realidade para um mundo de fantasia, ganhou poder
representativo e, portanto, humano. A aceitação das próprias diferenças e singularidades
é um tema que conversa com a história de qualquer sociedade, principalmente nos dias de hoje,
quando minorias e grupos sociais oprimidos como os LGBT, os pobres, os negros e
as mulheres lutam para garantir igual direito a espaço entre os demais.
Portanto é apenas apropriado que Bryan Singer, dirigindo o seu quarto filme da
franquia dos mutantes, decida apelar na já tradicional sequência de abertura
dos créditos, para um túnel que atravessa as eras da humanidade e seus diversos
e tão únicos estilos, não deixando de passar também pela suástica nazista e nos
lembrar não só do impacto que aquele movimento teve na história humana, como
também o que ele representou: o extermínio de qualquer um que fugisse a um
padrão estritamente estabelecido. Por isso que é um tanto frustrante que X-Men: Apocalipse, diferente dos 5
filmes anteriores da franquia, se concentre tão pouco nas questões políticas e sociais que antes eram o mote de todas as tramas, ainda que funcione ocasionalmente como algo a mais do que mais um filme de super-heróis.
domingo, 15 de maio de 2016
ENSAIO SOBRE A PONTE
Você já ouviu aquela história?
Da garota com dor na memória?
Ela queria subir numa ponte e pular
Mas faltava ponte pra ela escalar
Da garota com dor na memória?
Ela queria subir numa ponte e pular
Mas faltava ponte pra ela escalar
Não tinha ponte onde ela vivia
Um lugar pobre, na periferia
Onde apenas ela podia, a tarefa tão dura, tão fria
Uma ponte ali ergueria
Um lugar pobre, na periferia
Onde apenas ela podia, a tarefa tão dura, tão fria
Uma ponte ali ergueria
Muitos livros devorou então
Aprendeu sobre o aço e o concreto
Sobre o laço e o vergalhão
Aprendeu a traçar um arco correto
E qual o cimento mais certo pra fundação
E já muitos anos fazia
Desde que com aquela agonia
Uma ponte fora construir
E agora que uma surgia
Com parapeito pra ela subir
Motivo já não havia
Pra no rio o corpo imergir
Em sentimento tão egoístaAprendeu sobre o aço e o concreto
Sobre o laço e o vergalhão
Aprendeu a traçar um arco correto
E qual o cimento mais certo pra fundação
E já muitos anos fazia
Desde que com aquela agonia
Uma ponte fora construir
E agora que uma surgia
Com parapeito pra ela subir
Motivo já não havia
Pra no rio o corpo imergir
Construiu obra tão bem-quista
Que quem via não dava na vista
Que aquilo era coisa fatalista
Criada pra matar sem deixar pista
E ao invés de pular pro abismo
Fechando tamanho cinismo
Decidiu andar com seu passo sem sorte
Sobre a estrutura tão alta, tão forte
E para o outro lado atravessar
Ver se um novo rio encontraria
Sem ponte pra fazer travessia
Com um novo caminho pra projetar.
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