quinta-feira, 23 de abril de 2015

VINGADORES: ERA DE ULTRON




Em comparação com o divertidíssimo primeiro filme, é notável que Vingadores: Era de Ultron tenta ser muito mais sombrio. Porém, recusando-se a abandonar o bom humor de antes, encontra problemas em conciliar os dois tons, e não raramente um momento mais sério é imediatamente contraposto com alguma gag, e vice-versa, o que acaba tirando a força desses momentos. Joss Whedon, que volta ao posto de diretor, explora tudo o que funcionou antes e inegavelmente cria uma longa-metragem que é, sim, divertido como era o primeiro, mas que perde um pouco na novidade, e os pontos a mais ficam por conta do tempo que investe em personagens antes secundários demais para merecerem maior desenvolvimento.

O primeiro ponto é o vilão do título, Ultron (voz e captação de movimentos de James Spader), que diferentemente do Loki de Tom Hiddleston não possui nenhum carisma pré-estabelecido com o público. O robô criado por Tony Stark (Robert Downey Jr.) é dono de uma inteligência artificial e é apresentado com pressa, não demorando mais do que meia cena para chegar à conclusão óbvia de que ele é o antagonista do filme e tem que destruir os Vingadores porque [insira aqui qualquer motivo]. A verdade é que Ultron não possui melhores motivos do que Loki possuía (a Terra tem que ser destruída porque mesmo?) e na verdade repete sua fórmula até no bom humor – principalmente levando em conta que é um robô – e no narcisismo.

Uma vez que temos Ultron estabelecido, o filme para com os fan services – cena de luta inicial com todos os Vingadores, torrentes de piadinhas entre o Homem de Ferro e o Capitão América, pontas de vários personagens dos filmes solos dos heróis e a aparição já sempre esperada de Stan Lee – e começa a andar de verdade. Com o vilão contando com a ajuda de duas figuras dotadas de dons especiais, os gêmeos Pietro e Wanda Maximoff (Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen), o plano é criar um desastre para destruir a Terra enquanto acaba com a credibilidade e a união do grupo de heróis protagonistas.

Tudo se torna uma grande salada de frutas que parece mais preocupada em deixar o terreno preparado para filmes como o próximo Capitão América, que deve trazer a adaptação de Guerra Civil, uma famosa saga dos quadrinhos que envolve todos os Vingadores e um embate entre o Capitão América e o Homem de Ferro. O roteiro é mais truncado e menos fluído do que antes, não por acaso a duração de Era de Ultron é menor do que a de Vingadores e esse aqui soa muito mais longo. Ver o super-time se reunindo pela primeira vez tinha o seu frescor, agora a força está na individualidade, algo que não escapa ao todo de Whedon, que desenvolve um pouco mais personagens como Clint Barton (Jeremy Renner) e Natasha (Scarlett Johansson). O que faz mesmo falta é a trilha de Alan Silvestri, que é aqui é substituído por um apático e pouco presente Danny Elfman, que simplesmente não tem a mão para a dar a grandiosidade que o filme pedia. É um feito então que ainda assim, graças em parte à química e ao carisma de seu elenco, que o filme funcione de fato, apesar de um clímax esticado e repetitivo demais. 


NOTA: 7/10


sexta-feira, 27 de março de 2015

ANSIEDADE - A OFICINA DO DIABO



Deixa eu contar uma coisa sobre ser ansioso: as pessoas não entendem. Grampear as próprias bolas sempre parece uma ideia menos dolorosa do que ouvir um “eu vejo depois” ou um “tenho que pensar”.

Ser ansioso te faz exigente.
Ser ansioso te faz chato.
Ser ansioso te faz impaciente.
Ser ansioso também pode te fazer eficiente, mas não há garantias.
Mas antes de tudo, ser ansioso te faz hipócrita.

Quer dizer, não sei bem ao certo sobre essa última parte, muita coisa na cabeça agora, eu vejo depois, tenho que pensar.

Deus não existe se você é ansioso. Ao menos agora não faz diferença se existe ou não. Digo, o cara trabalha a ritmo de milênios, e eu contando os minutos aqui. Quando se é ansioso nada que não faça diferença agora – neste momento – importa. Foda-se Deus. É, ser ansioso te faz um pouco egocêntrico também.

Você começa a pensar que as pessoas não deveriam poder ter sentimentos, só pelo fato de não serem pragmáticas o suficiente para usá-los. Cada vez que ouço um “não sei” me faz preferir ser a alma condenada de algum motorista alcoólatra de ônibus escolar responsável pela morte de quarenta criancinhas, egolindo abacaxis inteiros e com casca e retirando-os intactos pelo rabo como castigo eterno. O inferno é as pessoas não poderem simplesmente serem objetivas. Por que não podem me ouvir e obedecer?

Eu sei, eu sei. Ser ansioso também te faz um babaca controlador. Eu não tô negando isso.

Romie sempre diz que eu deveria viver em um planeta povoado por um monte de eus. Segundo ele, eu seria mais feliz com uma população que também pudesse sentir a 120km/h. A ideia sempre me faz rir – três segundos por dentro, outros trinta por fora, só pelas aparências – mas Romie está errado. O que ele não sabe é que ser ansioso te faz bastante egoísta, e encontrar apenas um outro eu por aí já seria arrepiante o suficiente sem eu ter de pensar na ideia de encontrar milhares. Seria uma carnificina.

Ou eu também posso estar sendo precipitado – não disse ainda, mas ser ansioso te faz um paranoico talentoso – e no fim, ao invés de uma matança, haveria era uma orgia de escala global. Talvez sim, depois disso começaríamos a nos matar uns aos outros. Porque isso é outra coisa que não dizem sobre ser ansioso: nós gostamos de sexo. Somos primatas obcecados com a perpetuação da espécie, sempre em busca da próxima foda.

Sinceramente, tenho a impressão de que o primeiro telégrafo criou o primeiro ansioso. Pense bem, como vivia um ansioso na época do império? Se eu mando uma mensagem no whatsapp hoje, quero vê-la respondida tão logo a pessoa a leia, e minha paciência não tolera que isso demore mais do que algumas horas, porque, se alguém tem um whatsapp deve checar a droga do celular pelo menos uma vez por hora. É a obrigação moral dela com a modernidade. Agora imagine, e imagine você, porque toda a vez que eu tento imaginar é um pesadelo desesperador: um ansioso manda uma carta para a sua pretendida do outro lado do oceano perguntando se ela deixaria a residência dos pais e viria passar um tempo em terras americanas para ver o que acha da vida na colônia. O que seria o equivalente hoje a um “que tal sairmos na sexta?”. O que um ansioso faria da vida sabendo que a carta que ele acabou entregar ao mensageiro, levará semanas para alcançar o seu destinatário? Pior, sabendo que não há garantia alguma de que chegará de fato; o navio pode afundar, o mensageiro pode morrer, a carta pode se perder. Isso sem contar a resposta, e se a resposta não for a esperada? E se ele precisar argumentar? E mesmo que não precise, semanas é tempo o suficiente para que a moça conheça algum outro pretendente, e isso mesmo que vivesse no estado vizinho. Caralho, naquela época semanas era tempo o suficiente para que ao tempo em que a carta chegasse a moça já estivesse casada!

Quase não consigo dormir à noite pensando em como poderia ser pior. Quando Romie não responde alguma mensagem minha começo a pensar que estranho acidente envolvendo um carro, uma banca de frutas ou fios desencapados poderia tê-lo matado. Ligo pra mamãe que trabalha em frente à ele, pergunto se o viu, ela diz “sim”, eu adiciono: “vivo?”. Ela ri, eu me irrito, desligo. Saio, ligo pra ele, não atende, deve estar agonizando sem ninguém pra ajudá-lo. Mas por que? Romie é um vendedor, por que uma gangue de skatistas iria querê-lo morto? Ah sim, nesse meio tempo de alguma forma já deduzi que foram skatistas que o atacaram, com facas dessas grandes de caça que se compra em lojas de caça... Talvez o pai de um deles seja dono de uma loja de artigos de caça, o que explicaria o motivo de o terem esfaqueado, essa gente metida a red neck brasileiro deve ter uma bandeira do partido conservador pendurada atrás do balcão, não surpreenderia que a gangue do filho de um deles atacassem Romie. Eu tinha que chegar logo, antes que cortassem as bolas dele e enfiassem na boca do seu cadáver, não porque isso seria terrível – e seria -  mas porque se Romie estivesse vivo para julgar a própria morte ele ficaria puto por ter morrido assim. Tenho certeza de que ele gostaria de morrer do coração nos meus braços ou algo do gênero, e isso logo depois de oferecer uma performance estonteante de alguma música do RuPaul para uma plateia em alvoroço de excitação, algo no estilo Satine de morrer.

No final, Romie está conversando com o seu chefe e não pode sacar o celular. Nada de gangues de skatistas filhos de red necks donos de lojas de caça. Não. Pelo menos ser ansioso faz a sua vida parecer que vai se converter em um thriller de ação a qualquer momento.

Eu converso com Romie e tudo fica bem. A música do ABBA já dizia não é? There’s no hurry anymore when all is Said and done”. Bom, foda-se o ABBA também – por algum motivo estranho, ser ansioso te faz um crítico ferrenho de música brega – sempre há o que ser dito e feito. Eu acabo de conversar com o Romie e já há mais uns vinte itens que eu preciso ter certeza de que ficou claro pra ele. O mundo moderno foi projetado para acomodar os ansiosos, mas ainda é habitado massivamente por pessoas comuns que não se dinamizaram o suficiente, que nem mesmo planejam em detalhes o dia seguinte - quero dizer, como elas conseguem dormir sem decidir a cueca que vão usar quando acordarem? Se Jesus tivesse vindo nos dias de hoje e feito o sermão da montanha por streaming no YouTube, ele diria algo como: “bem aventurado os ansiosos, pois herdarão a Terra”. Não que seja alguma surpresa pra você, mas estou ansioso por esse dia. Abaixo os "vamos ver", nunca mais às "pensadinhas" e morte aos "eu acho"!

É, ser ansioso te faz dogmático e um pouco fascista também.

Eu vivo neste mundo há algum tempo agora, e ser ansioso te faz desesperado ao pensar que ainda há, pelas expectativas, mais do que o dobro desse tempo ainda por vir. As pessoas dizem que a vida é curta, os religiosos dizem isso, até os cientistas concordam com eles nisso. Cacete, se religiosos e cientistas podem concordar em alguma coisa sobre a vida, como que nós ansiosos podemos encontrar um lugar entre vocês? Porque, deixa eu te contar, a vida é longa. É malditamente arrastada. Romie vai me dizer até terça se iremos viajar na sexta, e ele vai viver feliz até lá. Eu invejo o filho da mãe com uma força que vem do núcleo dos meus ossos. Porque nesse meio tempo eu vou viver como se estivesse na página principal do meu Facebook e não conseguisse desfazer o símbolo vermelho de notificação no canto da página. Tudo azul, exceto pela maldita resposta de Romie. E até que ela venha, pra mim, vai se passar toda uma vida.

A ansiedade é uma grandeza física, ela faz o tempo relativo para quem está mais próximo dela. E os azarados que inventam de nascer com a maldita dentro do peito, batendo junto com o seu coração, vivem essa vida amaldiçoada. Desejando sempre apenas poder transmitir todo o desespero e agonia que sentem para a próxima pessoa, apenas com um toque, só para poder ser compreendido.

Ser ansioso te faz agir como um vírus. Você quer disseminar-se para sobreviver. A sociedade é o seu hospedeiro, e você precisa garantir que ela fique viva para sustentá-lo, mas ela vai tentar expulsá-lo, colocá-lo no seu lugar, mantê-lo sob controle ao menos. Quando religiosos e cientistas concordam, é quando glóbulos vermelhos e brancos se unem. Que seja. Eu sou um vírus. Ser ansioso te faz o vilão, e um tanto pessimista.

Você nunca é feliz por mais do que alguns instantes, porque sempre fica afoito pelo próximo momento em que você vai se sentir feliz, e agoniado de pensar que ele talvez não chegue. A sinaleira é muito demorada, a música que você adora poderia ter versos a menos, o livro ser mais curto, o filme menos subjetivo, os petiscos podiam ser pulados nos churrascos de domingo, a vida podia ter menos graça. Quando se é ansioso você vive para o próximo momento em que vai ver você mesmo falhar em aproveitar os pequenos momentos.

Você traça objetivos que parecem impossíveis. Você os alcança. Então quer alcançar o próximo horizonte, sempre correndo atrás do sol, tentando alcançá-lo antes que ele se ponha.


Quando se é ansioso, você sempre quer mais, e desconhece o significado de “demais”.

Deixa eu te contar uma última coisa sobre ser ansioso: nós não entendemos as pessoas.

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CINDERELA


Não há nada de novo nesta versão dirigida por Kenneth Branagh da gata borralheira. Nenhuma revisão moderna do conto ou da animação original da Disney. O roteiro não ousa e, portanto, não surpreende. Porém, dentro de sua condução extremamente correta, Cinderela agrada principalmente por representar uma revisita tecnicamente impecável a história da moça do sapatinho de cristal.

Óbvio, o roteiro de Chris Weitz também não ignora os tempos em que vivemos, e ao convocarem a donzela misteriosa para comparecer ao castelo, os guardas anunciam ao povo “...onde, se quiser, ela deverá se casar com o príncipe”. Assim como a mensagem final tem mais haver com aceitação da mulher como ele é, sem a maquiagem (literal e social), do que realmente com um sapatinho se encaixar ou não no pé de alguém. A vilã ser uma mulher também não ajudaria muito, mas Cate Blanchet tira a carapuça de carrasco conservador da Lady Tremaine do desenho e impõe uma que tem mais relação com suas própria vaidades e ambições, condenando a personagem e não um tipo.

Aliás, Blanchet é um dos dois grandes acertos de Cinderela; divertidamente má, a antagonista admite, sem deixar de esboçar um sorriso no rosto, um “sim”, quando lhe perguntam se ela está fazendo uma ameaça. Se a atriz tem uma queda para o over quando se trata de drama, é inegável que também não se iniba muito quando tem a liberdade de ser caricata, vide a sua Irina Spalko em Indiana Jones. Branagh, que normalmente tem um estilo marcante, aqui apenas uma vez torce o seu ângulo de filmagem, mantendo-se imperceptível atrás das câmeras no restante do tempo, enquanto outros antigos colaboradores seus fazem suas participações aqui e ali, como Helena Bonham Carter (esteve em Frankenstein de Mary Shelley, do diretor), Stellan Skarsgård (em Thor) e o compositor Patrick Doyle (em vários filme dele).

O segundo triunfo do longa-metragem, claro, é o design de produção, assinado por ninguém mais ninguém menos do que Dante Ferretti – três vezes vencedor merecido do Oscar na categoria – que estonteia com a grandiosidade e beleza de suas criações, do salão de festas até o sótão onde vive a protagonista, passando pela carruagem dourada. Se não estivéssemos recém no começo do ano, Ferretti seria a minha aposta para as principais premiações.


NOTA: 8/10

domingo, 22 de fevereiro de 2015

APOSTAS - OSCAR 2015


Então Boyhood era o favorito indiscutível, até que Birdman chegou e acabou com a festa de doze anos de Richard Linklater. Sou apaixonado por ambos os trabalhos, mas com os prêmios se dividindo aqui e ali entre as duas produções, fica difícil prever quem vai levar esse ano... Vamos então a lista completa dos meus achismos? Como sempre, não esqueça de deixar nos comentários os seus próprios palpites!


MELHOR FILME:
QUEM DEVERIA GANHAR: Garota Exemplar...  que infelizmente é o segundo filme consecutivo de David Fincher que a Academia esnoba. Neste caso, Birdman ou Boyhood, os favoritos, me deixariam muito feliz já que são, sem dúvidas e disparados, os melhores da lista.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Birdman. Esta é uma aposta difícil, o favorito mesmo é Boyhood. Mas por ser o mais recente e ter acumulado mais prêmios dos sindicatos - os importantes, como o PGA, DGA e o SAG - minha aposta vai para o filme de Iñárritu ao invés do de Linklater.
UMA BOA SURPRESA SERIA: O Grande Hotel Budapeste, mais um belo e divertidíssimo filme de Wes Anderson, e com certeza um dos melhores exemplares do ano passado.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": A Teoria de Tudo. Filme convencional e covarde que tem como maior mérito a performance de Eddie Redmayne.


MELHOR DIRETOR:
QUEM DEVERIA GANHAR: Por motivos óbviosAlejandro G. Iñárritu ou Richard Linklater. Mais uma vez, entretanto, destaco David Fincher, que nem na lista está, mas que se estivesse, seria o meu favorito. 
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Filme e Diretor normalmente são dobradinhas, mas se levarmos em conta os últimos dois anos, em que os prêmios se dividiram (Gravidade e 12 Anos de Escravidão, As Aventuras de Pi e Argo), temos que pensar se a Academia vai continuar sua nova tradição ou retornas às antigas. Dito isso, Iñárritu ganhou o DGA, MAS, talvez esteja aqui a oportunidade dos votantes se fazerem justos e premiar um diretor excepcional, cuja obra, Boyhood, realmente é um trabalho excepcional. Portanto meu voto fica com Richard Linklater.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Wes Anderson, por seu fantástico O Grande Hotel Budapeste, cujo sucesso deve-se e muito ao seu trabalho de direção.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Morten Tyldum, por O Jogo da Imitação. Trabalho convencional em um filme que é apenas bom. Não merece, não perto de seus colegas, pelo menos.


MELHOR ATOR:
QUEM DEVERIA GANHAR: No caso, "quem deveria estar indicado", e esse alguém é Jake Gyllenhaal por O Abutre. Mas dentre os indicados, escolheria Michael Keaton, claro, por mais que goste dos outros também. 
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Parece impossível tirar a estatueta das mãos de Eddie Redmayne, por A Teoria de Tudo, esta é a minha aposta oficial e se correta será muito merecido. Mas o desempenho do ator em O Destino de Júpiter, nos cinemas, tem sido taxado de caricato, e por fora corre Michael Keaton, por Birdman. Uma polarização entre os dois pode acabar favorecendo Bradley Cooper, por Sniper Americano.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Cooper, por que não? Se bem que, entre os indicados, se fosse para premiar alguém que não os dois favoritos, eu escolheria Steve Carell, por Foxcatcher.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Gosto muito de todos os indicados, logo, ninguém vai se foder...


MELHOR ATRIZ:
QUEM DEVERIA GANHAR: Rosamund Pike, por Garota Exemplar. Ponto.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Julianne Moore, por Para Sempre Alice. Uma das apostas mais fáceis da noite é uma velha queridinha da Academia, que já perdeu a estatueta algumas vezes antes. Não é o seu melhor filme mas ela está muito bem, como de costume, e será uma boa oportunidade de reconhecer a ótima atriz que ela é.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Marion Cotillard, por Dois Dias, Uma Noite.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Gosto de todas as indicadas também, mas admito que, embora não fosse mandar ninguém se foder, ficaria decepcionado se Felicity Jones acabasse com a estatueta na mão.


MELHOR ATOR COADJUVANTE:
QUEM DEVERIA GANHAR: Edward Norton ou J.K. Simmons. Mas prefiro o Norton.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: J.K. Simmons.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Mark Ruffallo está brilhante, como de costume, em Foxcatcher.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Não há má opção, todos me deixariam contente se vencessem.


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
QUEM DEVERIA GANHAR: Patricia Arquette, com certeza, embora eu seja apaixonado pelos trabalhos de Emma Stone e Laura Dern.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Patricia Arquette, por Boyhood
UMA BOA SURPRESA SERIA: Não vai haver, mas Stone e Dern me fariam feliz.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Keira Knightley, que não faz nada demais em O Jogo da Imitação.


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:
QUEM DEVERIA GANHAR: Birdman. Não! O Grande Hotel Budapeste... Tá, pera, O Abutre... Ai, mas Birdman tem um texto tão bom...
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O Grande Hotel Budapeste.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Birdman ou O Abutre.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": São todos ótimos roteiros... Mas qual é, tem que ser um dos três ali...


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Whiplash.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O Jogo da Imitação é a minha aposta oficial, mas nada certa. Se ganhar é para compensar todos os outros prêmios que não vai levar, os outros favoritos seriam Whiplash e A Teoria de Tudo, mas ambos serão, com toda a certeza, lembrados nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Ator, respectivamente.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": A Teoria de Tudo.


MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Gosto muito de Relatos Selvagens, mas de Ida também.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Ida.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Relatos Selvagens.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Não sou especialmente fã de Leviatã.


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Operação Big Hero.
QUEM VAI GANHAR: Como Treinar Seu Dragão 2
UMA BOA SURPRESA SERIA: Operação Big Hero.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Os Boxtrolls, que apesar de visualmente belo, é tolo.


MELHOR DOCUMENTÁRIO LONGA-METRAGEM:
QUEM DEVERIA GANHAR: Não consegui ver todos, mas dentre os que vi, Virunga e Citizenfour são demais. 
QUEM VAI GANHAR: Citizenfour.


MELHOR FOTOGRAFIA:
QUEM DEVERIA GANHAR: Birdman.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Birdman.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Se não for Birdman, não será uma boa surpresa.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Dã, qualquer um que não Birdman.


MELHOR MONTAGEM:
QUEM DEVERIA GANHAR: Boyhood... Se estivesse indicado, poderia ser Birdman também. 
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Boyhood.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Gente, Whiplash tem uma montagem fantástica, mas... Boyhood.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": O que faz O Jogo da Imitação aqui?


MELHOR MIXAGEM DE SOM:
QUEM DEVERIA GANHAR: Birdman.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Sniper Americano.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Ai ai... Birdman, né... bem que esta surpresa podia acontecer.


MELHOR EDIÇÃO DE SOM:
QUEM DEVERIA GANHAR: Interestelar.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Sniper Americano. Embora exista uma diferença bem grande entre Mixagem e Edição, a Academia adora juntar tudo como se fosse uma categoria só. Não por acaso os indicados são quase sempre os mesmos. 
UMA SURPRESA SERIA: Whiplash.
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos. O trabalho de edição de sons nos últimos dois filmes foi péssimo, resume-se a muito barulho.


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO:
QUEM DEVERIA GANHAR: O Grande Hotel Budapeste.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O Grande Hotel Budapeste.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Interestelar
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": Caminhos da Floresta... Nhé...


MELHOR FIGURINO:
QUEM DEVERIA GANHAR: O Grande Hotel Budapeste.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O Grande Hotel Budapeste, embora reconheça que Sr. Turner possa levar esta estatueta. O filme está indicado em diversas categorias técnicas, mostrando que no mínimo a Academia tem um carinho pelo projeto, e assim como aconteceu com Anna Karenina em 2013, um dos Oscars técnicos pode ser o seu jeitinho de dizer "lembramos de você". Além do mais, a Indicada por Sr. Turner é Jacqueline Durran, a mesma que foi premiada com o Oscar solitário de Anna Karenina. Mas minha aposta oficial é Milena Canonero, por O Grande Hotel Budapeste, além de veterana, a diretora de arte já venceu e foi indicada outras muitas vezes e não dá as caras na premiação há anos. E claro, trata-se de um trabalho espetacular.    
UMA BOA SURPRESA SERIA: Malévola.



MELHOR MAQUIAGEM:
QUEM DEVERIA GANHAR: Guardiões da Galáxia.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O Grande Hotel Budapeste, por que os membros da Academia vão pensar que tudo em Guardiões da Galáxia foi feito por computação gráfica.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Guardiões da Galáxia


MELHOR EFEITOS VISUAIS:
QUEM DEVERIA GANHAR: Guardiões da Galáxia ou Interestelar. O primeiro por usar e abusar da computação gráfica sem jamais passar vergonha, e o segundo justamente por se conter o máximo possível nesse quesito e ainda assim apresentar uma obra visualmente estonteante. 
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Interestelar. A Academia já premiou Nolan antes na categoria, e como o filme não deve ganhar mais nada...
UMA BOA SURPRESA SERIA: Planeta dos Macacos - O Confronto.


MELHOR ANIMAÇÃO CURTA-METRAGEM:
QUEM VAI GANHAR: The Bigger Picture
QUEM NÃO DEVERIA: O Banquete, que é muito bobinho. 


MELHOR FILME CURTA-METRAGEM:
QUEM VAI GANHAR: The Phone Call.


MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM:
QUEM VAI GANHAR: Joanna.


MELHOR TRILHA SONORA:
QUEM DEVERIA GANHAR: Hans Zimmer, por Interestelar. Não só seu trabalho é espetacular, como também o compositor não recebe um Oscar desde O Rei Leão (!).
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Acho que A Teoria de Tudo, embora não descarte Alexandre Desplat... por O Grande Hotel Budapeste né. Mas fico com A Teoria de Tudo.
UMA SURPRESA SERIA: Zimmer...
SE GANHAR MANDO "SE FODER!": A Teoria de Tudo, não gosto da trilha do filme, logo... VAI SE FODER! 


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:
QUEM DEVERIA GANHAR: Everything is Awesome de Uma Aventura Lego.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Glory, de Selma.




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CINQUENTA TONS DE CINZA



Então o filme não é ruim... me processem, xinguem muito nos comentários, não leiam os meus argumentos, batam o pé, tampem os ouvidos, bufem e saiam dizendo: “aquele cara entende é nada de cinema... e nem de sexo”. Talvez seja verdade, vá saber – você quer? A verdade é que eu não sei o quão bom ou o quão ruim pode ser o livro escrito por E.L. James a partir de uma fan fic de Crepúsculo (minha situação tá piorando, eu tenho consciência disso), porque não o li, e não preciso (!) – livro é livro e filme é filme, ambos têm de funcionar independentemente, um dia ainda tatuo isso pra não ter mais que repetir. Porém, como longa-metragem, Cinquenta Tons de Cinza é... sim, bom, e de dentro de seu próprio contexto, maduro – pronto, lá se vai a minha reputação rodopiando com a água da descarga. Se estiver realmente interessado(a) em saber se enlouqueci ou se por um acaso quiser mesmo entender porque achei isso, (suspiro) segue o que é provavelmente o último dos meus textos a ter algum acesso.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

SELMA



Escritos sobre as imagens do filme, surgem ocasionalmente trechos dos registros reais e oficiais da vigilância governamental feita em cima de Martin Luther King (David Oyelowo) e das pessoas envolvidas com o seu movimento, mais especificamente, aqueles referentes ao caso da cidade Selma, que dá título ao projeto, e onde King usou a população negra oprimida como fonte de catarse para alavancar o seu pedido junto ao presidente Johnson (Tom Wilkinson) por mudanças na constituição eleitoral. Usando palavras como “agitadora”, “crioulos” e “incita” para descrever Coretta King (Carmen Ejogo), os pacíficos manifestantes e o discurso do protagonista em uma igreja, respectivamente, esses registros denunciam com clareza a segregação que ainda estava impregnada no próprio sistema do governo dos EUA em 1965, mesmo que seu presidente já desde a primeira cena encha a boca para dizer que esse é um problema já superado. E essa é a parte menos revoltante de Selma, que mais tarde chega a trazer imagens de arquivo do verdadeiro protesto sobre que fala, aterrorizando minutos depois ao revelar que várias pessoas foram mortas e gravemente agredidas durante ele. Mais aterrorizante ainda, porém, é pensar que estas filmagens foram feitas há apenas cinquenta anos... E tem gente, no Brasil, que, assim como achava Johnson, pensa que o racismo e a segregação ficaram nesse passado obscuro, posicionando-se contra programas como o de cotas raciais e os demais de conscientização, como se as centenas de anos de escravidão, humilhação e restrição de direitos fossem ser curados em apenas meio século.