Eu gostaria de escrever uma
crítica sobre Transformers 4: A Era da
Extinção, mas, primeiro, teria de ver algumas perguntas respondidas. De
fato, lendo o meu caderninho de anotações - onde rabisco memorandos sobre os
filmes que assisto para depois poder compor um texto com eles – encontrei não
os habituais apontamentos e transcrições de falas e pequenos detalhes, mas
perguntas. Tenho pelo menos uma teoria para cada resposta, mas apenas Michael
Bay sabe a verdade. Ele, que no ano passado reconheceu todos os seus
maneirismos e os usou a favor de uma obra no ótimo e divertido Sem Dor, Sem Ganho, aqui, retorna aos
espasmos catatônicos de sua habitual direção. Então, de agora em diante, minhas
perguntas são diretamente direcionadas ao Sr. Bay.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
Pode-se dizer que (também) é eficiente
aquele diretor que consegue passar ao espectador os sentimentos de seus
personagens, ou conduzir suas emoções através da narrativa. No caso dos filmes
de Wes Anderson, a galeria de figuras que os povoam pode e é frequentemente descrita
como excêntrica, estranha e teatral. Algo que o cineasta, através de sua
singular linguagem, sempre foi habilidoso em transmitir. E diferentemente do
que se poderia acusá-lo, ao investir constantemente nesta mesma abordagem
visual recorrente em sua filmografia, Anderson denuncia não uma limitação de apuro
técnico, mas na verdade, um conhecimento minucioso da linguagem audiovisual. Ao
contrário de um realizador medíocre como Tom Hooper, por exemplo, que usa de
lentes grande-angulares sem aparente propósito, aqui, o diretor as emprega
ocasionalmente para causar o que afinal lentes grande-angulares causam;
estranheza e distorção. Pois em O Grande
Hotel Budapeste, Wes volta a lidar com um universo farsesco e distorcido,
que deliciosamente divertido, supera a barreira do estranhamento e melancolia e
se mostra curiosamente aconchegante para o espectador.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
OS MUPPETS 2: PROCURADOS E ARMADOS
Começando precisamente do ponto
em que seu antecessor havia terminado, Os
Muppets 2: Procurados e Armados não demora e já engata uma canção bem
humorada, cínica e de cunho metalinguístico anunciando que o filme a que
estamos assistindo trata-se de uma sequência. Basicamente trazendo de volta
todas as principais características do humor exercido pelos fantoches criados
em 1976 por Jim Henson e Frank Oz.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 2
Um dos problemas que afligem
animações produzidas por grandes estúdios é o seu compreensível medo de serem
muito sombrias ou pesadas para crianças, muitas vezes sacrificando a densidade
e profundidade de suas histórias em piadas bobas e roteiros que buscam
simplificar demasiadamente suas tramas, confundindo neste caso os jovens
espectadores com seres mentalmente incapazes de compreendê-las. Nesse quesito,
após um longa empolgante e carismático, era admirável que Como Treinar o seu Dragão fosse ousado o suficiente para amputar um
membro de seu protagonista, transgredindo um mandamento essencial de produções
do gênero: jamais alterar permanentemente seus personagens principais, seja em
design ou personalidade. Woody pode perder um braço em Toy Story 2, mas eventualmente ele o recupera. Elsa pode ser
excessivamente dura em sua decisão de manter a irmã distante em Frozen, mas acaba percebendo seu erro.
Soluço não, perde a perna definitivamente, em uma bela e trágica rima visual do
que havia causado ao próprio amigo dragão, Banguela. Bonito e justo, não? Uma
bela lição a se passar de maneira inteligente para crianças, e que o público
mais “vivido” poderia curtir pela maturidade. Pois esta continuação parece
perceber a força do que fora feito anteriormente e infelizmente extrapola no
uso deste artifício a ponto de deixá-lo banal – amputações se tornaram algo
comum entre homens e dragões - ainda que volte a acertar na trama que novamente
se mostra divertida e carismática, ousando outra vez no mesmo ponto, só que de
outra maneira; agora seus personagens estão mais velhos, e o filme não tenta
esconder isso em suas concepções.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
A CULPA É DAS ESTRELAS
Primeiramente, eu não li o livro
do John Green, e já cansei de falar aqui que filme é filme e obra que o
originou é, enfim, obra que o originou. São coisas distintas e DEVEM a
princípio – vá saber, a proposta pode mudar eventualmente – serem independentes.
Resumindo: não ter lido um livro não faz de ninguém menos apto a avaliar um
longa-metragem adaptado do mesmo. Então deixem o “mimimi” aqui neste parágrafo
se querem saber a opinião oficial do Classe
de Cinema sobre A Culpa das Estrelas.
Livres do “mimimi”? Beleza! É bobinho? É. É Meloso às vezes? É. Isso quer dizer
que o filme é ruim? Não. Graças a um punhado de intérpretes carismáticos é
possível se envolver e se importar com o arco bonitinho e – surpresa! – sóbrio de
Hazel e Gus.
terça-feira, 3 de junho de 2014
MALÉVOLA
Há um bom filme aqui em Malévola. A icônica vilã da versão
Disney de A Bela Adormecida sempre
foi um dos antagonistas mais interessantes concebidos pelo estúdio; não há
história contada por trás de suas ações, não há motivo aparente ou explicado
para que condenasse à morte uma criança recém-nascida. É este ímpeto genuíno de
maldade que faz até hoje da longilínea e córnea algoz um dos mais intrigantes e
amedrontadores vilões. Contar sua história era tentador, como em parecido caso,
era especular as origens do Space Jockey de Alien
– O Oitavo Passageiro. Aqui, porém, não só narrar a origem da personagem é
relevante, como também o longa-metragem propõem-se a inverter completamente o ponto
de vista daquele clássico de 1959. E analisado de forma crua, a princípio o
resultado possui um enredo funcional e interessantíssimo: Uma fada protetora de
um reino encantado apaixona-se por um menino humano, por quem é abandonada e
mais tarde traída devido a obsessão do então homem de tornar-se rei.
Amargurada, a fada torna-se uma feiticeira que se vinga amaldiçoando a filha do
antigo amado, só para mais tarde descobrir que tem afeição pela menina. De
fato, há um bom filme em Malévola,
uma pena que esteja escondido sob os escombros da desastrosa condução do
estreante diretor Robert Stromberg.
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