quinta-feira, 19 de julho de 2018

10 ANOS DE BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS


Há 10 anos, um problema sem solução.


Completando hoje uma década de vida, a obra de Christopher e Jonathan Nolan é um problema que ainda não encontrou remédio. Ao mesmo tempo em que abriu novas possibilidades para os filmes de heróis, também representou o ápice dos mesmos. Os Logan, Vingadores e X-Men que me perdoem, mas O Cavaleiro das Trevas continua imbatível o melhor exemplar do gênero. E não, não é só por causa do Coringa.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

DETALHE INCRÍVEL


Revendo Os Incríveis 2, reparei num detalhezinho que tinha me escapado da primeira vez, SEM SPOILERS>>> no quarto de hotel onde Helena está hospedada, tem uma pintura abstrata na parede que reproduz perfeitamente a situação da sua família (não achei imagens melhores dessa cena, mas no filme o quadro aparece bem grande na tela).
Da esquerda pra direita > A mancha maior seria o Beto, as duas mais finas são Flash e Violeta, o pontinho redondo é Zezé e, a macha mais "elegante" e afastada bem na direita seria a própria Helena, que, como na pintura, está distante da sua família.
E esse é só mais um dos detalhes do filme. Apontei outros como esse do design de produção e dos figurinos na minha crítica.











sexta-feira, 13 de julho de 2018

CRÍTICA: SICÁRIO - DIA DO SOLDADO



É ótimo voltar ao universo de Sicário, e aí que está o problema: é ótimo. Deveria ser aterrador. Apesar de tanto, Sicário: Dia do Soldado não é um filme ruim, apesar de passar longe da maestria do clássico-instantâneo que é o original dirigido por Dennis Villenueve - que só fica melhor com o tempo. Acontece que Dariusz Wolski (cujo trabalho admiro muito) não é Roger Deakins, mas sua fotografia emula muito bem o trabalho (genial) deste último, assim como Hildur Guðnadóttir não é Jóhann Jóhannsson (falecido), e a trilha, que antes era um personagem à parte, aqui torna-se apenas o típico complemento narrativo.

No geral, o filme imita muito bem o estilo do primeiro, no ritmo e na atmosfera principalmente. Mas sem a mão de Villeneuve, fica convencional demais, é somente um trhiller policial com boas cenas de tensão - engrandecidas pelo protagonismo de Josh Brolin e Benicio Del Toro (que deveria ter ganho todos os prêmios de Ator Coadjuvante por seu papel em 2015). Falta ao filme a crueldade e a frieza visual e narrativa para chutar o espectador na barriga, como fazia o antecessor. Falta ao projeto uma inspiração e repertório para se referenciar - o primeiro bebia do Noir, especialmente de A Marca da Maldade.

E é estranho, porque na prática tá tudo no lugar. Os efeitos sonoros, a fotografia, a montagem, etc. A princípio, o filme emula fielmente o que vimos antes, mas não tem uma alma, um maestro ali, alguém que pense: "hmmm, a trilha pode ser a 'voz' desse lugar que vamos apresentar", ou que pontue a trama com simbolismos sutis que atravessam a narrativa, extraindo um significado poderoso no fim. E ainda assim, é ótimo rever Brolin e Del Toro nos papéis do agente Matt Graver e Alejandro, respectivamente - o que comprova o talento de ambos. O primeiro é bonachão e eloquente, se distanciando do que fez com Thanos e de Cable, outros de seus personagens vistos em 2018 - mas Brolin ainda assim consegue inspirar ameaça mesmo munido de sorrisos, pois sabe manter o olhar frio e perigoso por trás de seus modos expansivos. Já Del Toro sofre um pouco com o roteiro de Taylor Sheridan (o mesmo do original), que lhe dá mutas falas, e falas muito tranquilas, ligeiramente diferente do soturno e calado sicário de antes - mas ainda assim, o ator passa por cima disso com suas expressões que vertem ameaça a todo instante.  

Entretanto, se antes o universo de Sicário era impiedoso, violento e desesperador, agora ele é meio "pessimistinha", na melhor das hipóteses - Alejandro com crise de protetor de criança? Qual é...

Nota: 7/10

segunda-feira, 9 de julho de 2018

CRÍTICA: OS INCRÍVEIS 2


Um dos elementos mais incríveis (han?) dos filmes do diretor Brad Bird reside no seu talento aparentemente infalível para criar sequências vibrantes e cheias de energia. Talvez por ter feito carreira comandando animações, o cineasta aprendeu cedo que os desenhos animados, 2 ou 3D, abrem portas para uma linguagem completamente diferente das produções live-action (com atores de carne e osso). Em Os Incríveis (2004), por exemplo, isso ficava óbvio pelo modo como Bird movia sua câmera pelos cenários animados de forma absurda, sem se prender às restrições que seriam impostas a uma câmera de verdade num set real - e mesmo quando adotava uma gramática mais convencional, seus quadros eram belos ou chamativos pela composição ou por algum outro elemento de cena.


Tá, mas por que estou falando desse cara se a galera esperou 14 anos por Os Incríveis 2 independente de quem dirigiu? Acontece que o sucesso de Os Incríveis, 1 e 2, só pode ser explicado através de Brad Bird.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

CRÍTICA: DESOBEDIÊNCIA


Um dos grandes trunfos de Uma Mulher Fantástica, filme anterior do cineasta chileno Sebastián Lelio, além da performance inebriante de Daniela Vega, residia no modo como ele abordava com sutileza as micro-violências infligidas proposital e acidentalmente à protagonista, uma mulher transexual. Em Desobediência fica patente que essa característica não vai se perder quando o título já surge num delicado colorido neon, que por contrastar diretamente com a monocromia geral da fotografia e do design de produção, sugere de forma econômica a insubordinação que nomeia o projeto.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

CRÍTICA: A MORTE DE STALIN


O humor é mesmo uma ferramenta poderosa, e A Morte de Stalin se beneficia imensamente ao usá-lo para causar desconforto. Veja bem, é sobre saber usar esse recurso com inteligência. Acompanhando do modo mais fiel possível as horas que precederam e que se seguiram ao evento do título, o roteiro (de Armando Iannucci, também diretor do projeto) lida com personagens repulsivos, sanguinários e mesquinhos  agindo em situações hediondas, e que ainda assim, inspiram o riso. 

É como um jogo de quem pisca primeiro, as piadas de Iannucci se alongam e desafiam o espectador a rir frente às barbáries, à falta de caráter e à monstruosidade daquela realidade. Falamos aqui de estupros, assassinatos, massacres, tortura e Ditadura. E mesmo assim, o riso vem - mas rimos deles, não com eles.