sexta-feira, 25 de outubro de 2013

"VÍSCERAS" - UM CONTO DE CHUCK PALAHNIUK

     Sou grande fã do trabalho do autor Chuck Palahniuk no livro Clube da Luta, e não esperava que o mesmo pudesse me surpreender e chocar outra vez. Estava errado, pois eis que uma amiga minha me indicou este conto chamado Vísceras, que faz parte de um livro seu chamado Assombro, e após lê-lo, encontro-me naquele velho estado que é um misto de choque e deleite. Dizem que sessenta e sete pessoas desmaiaram ouvindo Palahniuk lendo o conto em público, não sei se é para tanto, mas com certeza é uma pequena história perturbadora. Segue então abaixo, Vísceras, boa sorte.
Conforme fiz recentemente com a carta de Julian Assange, posto a versão original e uma tradução livre do texto.


TRADUÇÃO LIVRE:
VÍSCERAS

Inspire. Inspire o máximo de ar que conseguir. Essa história deve durar aproximadamente o tempo que você consegue segurar sua respiração, e um pouco mais. Então escute o mais rápido que puder.
Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre “fio-terra”. Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.
Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina. Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo.
Em casa, ele corta a ponta da cenoura com um alicate. Ele a lubrifica e desce seu traseiro por ela. Então, nada. Nenhum orgasmo. Nada acontece, exceto pela dor.
Então, esse garoto, a mãe dele grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para descer, naquele momento.
Ele remove a cenoura e coloca a coisa pegajosa e imunda no meio das roupas sujas debaixo da cama.
Depois do jantar, ele procura pela cenoura, e não está mais lá. Todas as suas roupas sujas, enquanto ele jantava, foram recolhidas por sua mãe para lavá-las. Não havia como ela não encontrar a cenoura, cuidadosamente esculpida com uma faca da cozinha, ainda lustrosa de lubrificante e fedorenta.
Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.
As pessoas na França possuem uma expressão: “sagacidade de escadas.” Em francês: esprit de l’escalier. Representa aquele momento em que você encontra a resposta, mas é tarde demais. Digamos que você está numa festa e alguém o insulta. Você precisa dizer algo. Então sob pressão, com todos olhando, você diz algo estúpido. Mas no momento em que sai da festa… enquanto você desce as escadas, então – mágica. Você pensa na coisa mais perfeita que poderia ter dito. A réplica mais avassaladora. Esse é o espírito da escada.
O problema é que até mesmo os franceses não possuem uma expressão para as coisas estúpidas que você diz sob pressão. Essas coisas estúpidas e desesperadas que você pensa ou faz.
Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.
Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais os encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer… melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.
Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, onde o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os fazia gozar melhor. De forma mais intensa.
Esse irmão mais velho viajava pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas de punhetagem.
Depois disso, o irmão mais novo, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pedindo para eu pegar seus deveres de casa pelas próximas semanas. Porque ele está no hospital.
Ele tem que compartilhar um quarto com velhos que estiveram operando as entranhas. Ele diz que todos compartilham a mesma televisão. Que a única coisa para dar privacidade é uma cortina. Seus pais não o vem visitar. No telefone, ele diz como os pais dele queriam matar o irmão mais velho da Marinha.
Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.
Chapado e com tesão, ele enfia lá dentro, mais e mais fundo por dentro do canal urinário de seu pau. Com uma boa parte da cera ainda para fora, ele começa o trabalho.
Até mesmo nesse momento ele reconhece que esses árabes eram caras muito espertos.
Eles reinventaram totalmente a punheta. Deitado totalmente na cama, as coisas estão ficando tão boas que o garoto nem observa a filete de cera. Ele está quase gozando quando percebe que a cera não está mais lá.
O fino filete de cera entrou. Bem lá no fundo. Tão fundo que ele nem consegue sentir a cera dentro de seu pau.
Das escadas, sua mãe grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para ele descer naquele momento. O garoto da cenoura e o garoto da cera eram pessoas diferentes, mas viviam basicamente a mesma vida.
Depois do jantar, as entranhas do garoto começam a doer. É cera, então ele imagina que ela vá derreter dentro dele e ele poderá mijar para fora. Agora suas costas doem. Seus rins. Ele não consegue ficar ereto corretamente.
O garoto falando pelo telefone do seu quarto de hospital, no fundo pode-se ouvir campainhas, pessoas gritando. Game shows.
Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais espesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.
O garoto e seus pais, a família inteira, olhando aquela chapa de raio-X com o médico e as enfermeiras ali, um grande V de cera brilhando na chapa para todos verem, ele deve falar a verdade. Sobre o jeito que os árabes se masturbam. Sobre o que o seu irmão mais velho da Marinha escreveu.
No telefone, nesse momento, ele começa a chorar.
Eles pagam pela operação na bexiga com o dinheiro da poupança para sua faculdade. Um erro estúpido, e agora ele nunca mais será um advogado.
Enfiando coisas dentro de você. Enfiando-se dentro de coisas. Uma vela no seu pau ou seu pescoço num nó, sabíamos que não poderia acabar em problemas.
O que me fez ter problemas, eu chamava de Pesca Submarina. Isso era bater punheta embaixo d’água, sentando no fundo da piscina dos meus pais. Pegando fôlego, eu afundava até o fundo da piscina e tirava meu calção. Eu sentava no fundo por dois, três, quatro minutos.
Só de bater punheta eu tinha conseguido uma enorme capacidade pulmonar. Se eu tivesse a casa só para mim, eu faria isso a tarde toda. Depois que eu gozava, meu esperma ficava boiando em grandes e gordas gotas.
Depois disso eram mais alguns mergulhos, para apanhar todas. Para pegar todas e colocá-las em uma toalha. Por isso chamava de Pesca Submarina. Mesmo com o cloro, havia a minha irmã para se preocupar. Ou, Cristo, minha mãe.
Esse era meu maior medo: minha irmã adolescente e virgem, pensando que estava ficando gorda e dando à luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas parecendo-se comigo. Eu, o pai e o tio. No fim, são as coisas com as quais você não se preocupa que te pegam.
A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.
Como os franceses dizem, Quem não gosta de ter seu cu chupado? Mesmo assim, num minuto você é só um garoto batendo uma, e no outro nunca mais será um advogado.
Num minuto eu estou no fundo da piscina e o céu é um azul claro e ondulado, aparecendo através de dois metros e meio de água sobre minha cabeça. Silêncio total exceto pelas batidas do coração que escuto em meu ouvido. Meu calção amarelo-listrado preso em volta do meu pescoço por segurança, só em caso de algum amigo, um vizinho, alguém que apareça e pergunte porque faltei aos treinos de futebol. O constante chupar da saída de água me envolve enquanto delicio minha bunda magra e branquela naquela sensação.
Num momento eu tenho ar o suficiente e meu pau está na minha mão. Meus pais estão no trabalho e minha irmã no balé. Ninguém estará em casa por horas.
Minhas mãos começam a punhetar, e eu paro. Eu subo para pegar mais ar. Afundo e sento no fundo. Faço isso de novo, e de novo.
Deve ser por isso que garotas querem sentar na sua cara. A sucção é como dar uma cagada que nunca acaba. Meu pau duro e meu cu sendo chupado, eu não preciso de mais ar. O bater do meu coração nos ouvidos, eu fico no fundo até as brilhantes estrelas de luz começarem a surgir nos meus olhos. Minhas pernas esticadas, a batata das pernas esfregando-se contra o fundo. Meus dedos do pé ficando azul, meus dedos ficando enrugados por estar tanto tempo na água.
E então acontece. As gotas gordas de gozo aparecem. É nesse momento que preciso de mais ar. Mas quando tento sair do fundo, não consigo. Não consigo colocar meus pés abaixo de mim. Minha bunda está presa.
Médicos de plantão de emergência podem confirmar que todo ano cerca de 150 pessoas ficam presas dessa forma, sugadas pelo duto do filtro de piscina. Fique com o cabelo preso, ou o traseiro, e você vai se afogar. Todo o ano, muita gente fica. A maioria na Flórida.
As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.
Ainda nadando, mexendo meus dois braços, eu devo estar na metade do caminho para a superfície mas não estou indo mais longe que isso. O bater do meu coração no meu ouvido fica mais alto e mais forte.
As brilhantes fagulhas de luz passam pelos meus olhos, e eu olho para trás… mas não faz sentido. Uma corda espessa, algum tipo de cobra, branco-azulada e cheia de veias, saiu do duto da piscina e está segurando minha bunda. Algumas das veias estão sangrando, sangue vermelho que aparenta ser preto debaixo da água, que sai por pequenos cortes na pálida pele da cobra. O sangue começa a sumir na água, e dentro da pele fina e branco-azulada da cobra é possível ver pedaços de alguma refeição semi-digerida.
Só há uma explicação. Algum horrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, estava se escondendo no fundo escuro do duto da piscina, só esperando para me comer.
Então… eu chuto a coisa, chuto a pele enrugada e escorregadia cheia de veias, e parece que mais está saindo do duto. Deve ser do tamanho da minha perna nesse momento, mas ainda segurando firme no meu cu. Com outro chute, estou a centímetros de conseguir respirar. Ainda sentindo a cobra presa no meu traseiro, estou bem próximo de escapar.
Dentro da cobra, é possível ver milho e amendoins. E dá pra ver uma brilhante esfera laranja. É um daqueles tipos de vitamina que meu pai me força a tomar, para poder ganhar massa. Para conseguir a bolsa como jogador de futebol. Com ferro e ácidos graxos Ômega 3.
Ver essa pílula foi o que me salvou a vida. Não é uma cobra. É meu intestino grosso e meu cólon sendo puxados para fora de mim. O que os médicos chamam de prolapso de reto. São minhas entranhas sendo sugadas pelo duto.
Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.
O que eu posso dizer é que suas entranhas não sentem tanta dor. Não da forma que sua pele sente dor. As coisas que você digere, os médicos chamam de matéria fecal. No meio disso tudo está o suco gástrico, com pedaços de milho, amendoins e ervilhas.
Essa sopa de sangue, milho, merda, esperma e amendoim flutua ao meu redor. Mesmo com minhas entranhas saindo pelo meu traseiro, eu tentando segurar o que restou, mesmo assim, minha vontade é de colocar meu calção de alguma forma. Deus proíba que meus pais vejam meu pau.
Com uma mão seguro a saída do meu rabo, com a outra mão puxo o calção amarelo-listrado do meu pescoço. Mesmo assim, é impossível puxar de volta.
Se você quer sentir como seria tocar seus intestinos, compre uma camisinha feita com intestino de carneiro. Pegue uma e desenrole. Encha de manteiga de amendoim. Lubrifique e coloque debaixo d’água. Então tente rasgá-la. Tente partir em duas. É firme e ao mesmo tempo macia. É tão escorregadia que não dá para segurar.
Uma camisinha dessas é feita do bom e velho intestino.
Você então vê contra o que eu lutava. Se eu largo, sai tudo. Se eu nado para a superfície, sai tudo. Se eu não nadar, me afogo. É escolher entre morrer agora, e morrer em um minuto.
O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na água turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.
Ou isso, ou meus pais me encontrariam enrolado numa toalha encharcada de sangue, morto entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos destroçados das minhas entranhas para fora do meu calção amarelo-listrado.
Algo sobre o que nem os franceses falam. Aquele irmão mais velho na Marinha, ele ensinou uma outra expressão bacana. Uma expressão russa. Do jeito que nós falamos “Preciso disso como preciso de um buraco na cabeça…”, os russos dizem, “Preciso disso como preciso de dentes no meu cu…”
Mne eto nado kak zuby v zadnitse.
Essas histórias de como animais presos em armadilhas roem a própria perna fora, bem, qualquer coiote poderá te confirmar que algumas mordidas são melhores que morrer.
Droga… mesmo se você for russo, um dia vai querer esses dentes.
Senão, o que você pode fazer é se curvar todo. Você coloca um cotovelo por baixo do joelho e puxa essa perna para o seu rosto. Você morde e rói seu próprio cu. Se você ficar sem ar você consegue roer qualquer coisa para poder respirar de novo.
Não é algo que seja bom contar a uma garota no primeiro encontro. Não se você espera por um beijinho de despedida. Se eu contasse como é o gosto, vocês não comeriam mais frutos do mar.
É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, “Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque.” E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.
Todas aquelas pessoas enojadas ou sentindo pena de mim…
Precisava disso como precisaria de dentes no cu.
Hoje em dia, as pessoas sempre me dizem que eu sou magrinho demais. As pessoas em jantares ficam quietas ou bravas quando não como o cozido que fizeram. Cozidos podem me matar. Presuntadas. Qualquer coisa que fique mais que algumas horas dentro de mim, sai ainda como comida. Feijões caseiros ou atum, eu levanto e encontro aquilo intacto na privada.
Depois que você passa por uma lavagem estomacal super-radical como essa, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas tem um metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ainda ter meus quinze centímetros. Então nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca consegui meu mestrado. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, eles cresceram, ficaram grandes, mas eu nunca pesei mais do que pesava aos 13 anos.
Outro problema foi que meus pais pagaram muita grana naquela piscina. No fim meu pai teve que falar para o cara da limpeza da piscina que era um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O corpo sugado pelo duto. Mesmo depois que o cara da limpeza abriu o filtro e removeu um tubo pegajoso, um pedaço molhado de intestino com uma grande vitamina laranja dentro, mesmo assim meu pai dizia, “Aquela porra daquele cachorro era maluco.”
Mesmo do meu quarto no segundo andar, podia ouvir meu pai falar, “Não dava para deixar aquele cachorro sozinho por um segundo…”
E então a menstruação da minha irmã atrasou.
Mesmo depois que trocaram a água da piscina, depois que vendemos a casa e mudamos para outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo depois de tudo isso meus pais nunca mencionaram isso novamente.
Nunca. Essa é a nossa cenoura invisível. Você. Agora você pode respirar. Eu ainda não.
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TEXTO ORGINAL:
GUTS

Inhale.

Take in as much air as you can. This story should last about as long as you can hold your breath, and then just a little bit longer. So listen as fast as you can.

A friend of mine, when he was 13 years old he heard about "pegging." This is when a guy gets banged up the butt with a dildo. Stimulate the prostate gland hard enough, and the rumor is you can have explosive hands-free orgasms. At that age, this friend's a little sex maniac. He's always jonesing for a better way to get his rocks off. He goes out to buy a carrot and some petroleum jelly. To conduct a little private research. Then he pictures how it's going to look at the supermarket checkout counter, the lonely carrot and petroleum jelly rolling down the conveyer belt toward the grocery store cashier. All the shoppers waiting in line, watching. Everyone seeing the big evening he has planned.

So my friend, he buys milk and eggs and sugar and a carrot, all the ingredients for a carrot cake. And Vaseline.

Like he's going home to stick a carrot cake up his butt.

At home, he whittles the carrot into a blunt tool. He slathers it with grease and grinds his ass down on it. Then, nothing. No orgasm. Nothing happens except it hurts.

Then, this kid, his mom yells it's supper time. She says to come down, right now.

He works the carrot out and stashes the slippery, filthy thing in the dirty clothes under his bed.

After dinner, he goes to find the carrot, and it's gone. All his dirty clothes, while he ate dinner, his mom grabbed them all to do laundry. No way could she not find the carrot, carefully shaped with a paring knife from her kitchen, still shiny with lube and stinky.

This friend of mine, he waits months under a black cloud, waiting for his folks to confront him. And they nev?er do. Ever. Even now that he's grown up, that invisible carrot hangs over every Christmas dinner, every birthday party. Every Easter egg hunt with his kids, his parents' grandkids, that ghost carrot is hovering over all of them. That something too awful to name.

People in France have a phrase: "staircase wit." In French: esprit de l'escalier. It means that moment when you find the answer, but it's too late. Say you're at a par?ty and someone insults you. You have to say something. So under pressure, with everybody watching, you say something lame. But the moment you leave the party....

As you start down the stairway, then-magic. You come up with the perfect thing you should've said. The perfect crippling put-down.

That?s the spirit of the stairway.

The trouble is, even the French don't have a phrase for the stupid things you actually do say under pressure. Those stupid, desperate things you actually think or do.

Some deeds are too low to even get a name. Too low to even get talked about.

Looking back, kid-psych experts, school counselors now say that most of the last peak in teen suicide was kids trying to choke while they beat off. Their folks would find them, a towel twisted around their kid's neck, the towel tied to the rod in their bedroom closet, the kid dead. Dead sperm every?where. Of course the folks cleaned up. They put some pants on their kid. They made it look ... better. Intentional at least. The regular kind of sad teen suicide.

Another friend of mine, a kid from school, his older brother in the Navy said how guys in the Middle East jack off different than we do here. This brother was stationed in some camel country where the public market sells what could be fancy letter openers. Each fancy tool is just a thin rod of pol?ished brass or silver, maybe as long as your hand, with a big tip at one end, ei?ther a big metal ball or the kind of fan?cy carved handle you'd see on a sword. This Navy brother says how Arab guys get their dick hard and then insert this metal rod inside the whole length of their boner. They jack off with the rod inside, and it makes getting off so much better. More intense.

It's this big brother who travels around the world, sending back French phrases. Russian phrases. Helpful jack-off tips.

After this, the little brother, one day he doesn't show up at school. That night, he calls to ask if I'll pick up his homework for the next couple weeks. Because he's in the hospital.

He's got to share a room with old people getting their guts worked on. He says how they all have to share the same television. All he's got for privacy is a curtain. His folks don't come and visit. On the phone, he says how right now his folks could just kill his big brother in the Navy.

On the phone, the kid says how-the day before-he was just a little stoned. At home in his bedroom, he was flopped on the bed. He was lighting a candle and flipping through some old porno magazines, getting ready to beat off. This is after he's heard from his Navy brother. That helpful hint about how Arabs beat off. The kid looks around for something that might do the job. A ballpoint pen's too big. A pencil's too big and rough. But dripped down the side of the candle, there's a thin, smooth ridge of wax that just might work. With just the tip of one finger, this kid snaps the long ridge of wax off the candle. He rolls it smooth between the palms of his hands. Long and smooth and thin.

Stoned and horny, he slips it down inside, deeper and deeper into the piss slit of his boner. With a good hank of the wax still poking out the top, he gets to work.
Even now, he says those Arab guys are pretty damn smart. They've totally reinvented jacking off. Flat on his back in bed, things are getting so good, this kid can't keep track of the wax. He's one good squeeze from shooting his wad when the wax isn't sticking out anymore.

The thin wax rod, it's slipped inside. All the way inside. So deep inside he can't even feel the lump of it inside his piss tube.

From downstairs, his mom shouts it's supper time. She says to come down, right now. This wax kid and the carrot kid are different people, but we all live pretty much the same life.

It's after dinner when the kid's guts start to hurt. It's wax, so he figured it would just melt inside him and he'd pee it out. Now his back hurts. His kid?neys. He can't stand straight.

This kid talking on the phone from his hospital bed, in the background you can hear bells ding, people scream?ing. Game shows.

The X-rays show the truth, some?thing long and thin, bent double inside his bladder. This long, thin V inside him, it's collecting all the minerals in his piss. It's getting bigger and rougher, coated with crystals of calci?um, it's bumping around, ripping up the soft lining of his bladder, blocking his piss from getting out. His kidneys are backed up. What little that leaks out his dick is red with blood.

This kid and his folks, his whole fam?ily, them looking at the black X-ray with the doctor and the nurses stand?ing there, the big V of wax glowing white for everybody to see, he has to tell the truth. The way Arabs get off. What his big brother wrote him from the Navy.

On the phone, right now, he starts to cry.

They paid for the bladder operation with his college fund. One stupid mis?take, and now he'll never be a lawyer.

Sticking stuff inside yourself. Stick?ing yourself inside stuff. A candle in your dick or your head in a noose, we knew it was going to be big trouble.

What got me in trouble, I called it Pearl Diving. This meant whacking off underwater, sitting on the bottom at the deep end of my parents' swimming pool. With one deep breath, I'd kick my way to the bottom and slip off my swim trucks. I'd sit down there for two, three, four minutes.

Just from jacking oft' I had huge lung capacity. If I had the house to myself, I'd do this all afternoon. After I'd finally pump out my stuff, my sperm, it would hang there in big, fat, milky gobs.

After that was more diving, to catch it all. To collect it and wipe each hand?ful in a towel. That's why it was called Pearl Diving. Even with chlorine, there was my sister to worry about. Or, Christ almighty, my mom.

That used to be my worst fear in the world: my teenage virgin sister, think?ing she's just getting fat, then giving birth to a two-headed, retard baby. Both heads looking just like me. Me, the father and the uncle. In the end, it's never what you worry about that gets you.

The best part of Pearl Diving was the inlet port for the swimming pool filter and the circulation pump. The best part was getting naked and sit?ting on it.

As the French would say, Who doesn't like getting their butt sucked? Still, one minute you're just a kid getting off, and the next minute you'll never be a lawyer.

One minute I'm settling on the pool bottom and the sky is wavy, light blue through eight feet of water above my head. The world is silent except for the heartbeat in my ears. My yellow?striped swim trunks are looped around my neck for safe keeping, just in case a friend, a neighbor, anybody shows up to ask why I skipped foot?ball practice. The steady suck of the pool inlet hole is lapping at me and I'm grinding my skinny white ass around on that feeling.

One minute I've got enough air and my dick's in my hand. My folks are gone at their work and my sister's got ballet. Nobody's supposed to be home for hours.

My hand brings me right to getting off, and I stop. I swim up to catch an?other big breath. I dive down and settle on the bottom.

I do this again and again.

This must be why girls want to sit on your face. The suction is like taking a dump that never ends. My dick hard and getting my butt eaten out, I do not need air. My heartbeat in my ears, I stay under until bright stars of light start worming around in my eyes. My legs straight out, the back of each knee rubbed raw against the concrete bot?tom. My toes are turning blue, my toes and fingers wrinkled from being so long in the water.

And then I let it happen. The big white gobs start spouting. The pearls. It's then I need some air. But when I go to kick off against the bottom, I can't. I can't get my feet under me. My ass is stuck.

Emergency paramedics will tell you that every year about 150 people get stuck this way, sucked by a circulation pump. Get your long hair caught, or your ass, and you're going to drown. Every year, tons of people do. Most of them in Florida.

People just don't talk about it. Not even French people talk about everything. Getting one knee up, getting one foot tucked under me, I get to half standing when I feel the tug against my butt. Get?ting my other foot under me, I kick off against the bottom. I'm kicking free, not touching the concrete, but not getting to the air, either.

Still kicking water, thrashing with both arms, I'm maybe halfway to the surface but not going higher. The heartbeat in?side my head getting loud and fast.

The bright sparks of light crossing and crisscrossing my eyes, I turn and look back ... but it doesn't make sense. This thick rope, some kind of snake, blue?white and braided with veins, has come up out of the pool drain and it's holding on to my butt. Some of the veins are leaking blood, red blood that looks black underwater and drifts away from little rips in the pale skin of the snake. The blood trails away, disappearing in the water, and inside the snake's thin, blue?white skin you can see lumps of some half-digested meal.

That's the only way this makes sense. Some horrible sea monster, a sea serpent, something that's never seen the light of day, it's been hiding in the dark bottom of the pool drain, waiting to eat me.


So ...I kick at it, at the slippery, rub?bery knotted skin and veins of it, and more of it seems to pull out of the pool drain. It's maybe as long as my leg now, but still holding tight around my butt?hole. With another kick, I'm an inch closer to getting another breath. Still feeling the snake tug at my ass, I'm an inch closer to my escape.
Knotted inside the snake, you can see corn and peanuts. You can see a long bright-orange ball. It's the kind of horse?pill vitamin my dad makes me take, to help put on weight. To get a football scholarship. With extra iron and omega?three fatty acids.

It's seeing that vitamin pill that saves my life.

It's not a snake. It's my large intestine, my colon pulled out of me. What doctors call prolapsed. It's my guts sucked into the drain.

Paramedics will tell you a swimming pool pump pulls 80 gallons of water every minute. That's about 400 pounds of pressure. The big problem is we're all connected together inside. Your ass is just the far end of your mouth. If I let go, the pump keeps working-unravel?ing my insides-until it's got my tongue. Imagine taking a 400-pound shit and you can see how this might turn you inside out.

What I can tell you is your guts don't feel much pain. Not the way your skin feels pain. The stuff you're digesting, doctors call it fecal matter. Higher up is chyme, pockets of a thin, runny mess studded with corn and peanuts and round green peas.

That's all this soup of blood and corn, shit and sperm and peanuts floating around me. Even with my guts unravel?ing out my ass, me holding on to what's left, even then my first want is to some?how get my swimsuit back on.

God forbid my folks see my dick.

My one hand holding a fist around my ass, my other hand snags my yellow?striped swim trunks and pulls them from around my neck. Still, getting into them is impossible.

You want to feel your intestines, go buy a pack of those lambskin condoms. Take one out and unroll it. Pack it with peanut butter. Smear it with petroleum jelly and hold it under water. Then try to tear it. Try to pull it in half. It's too tough and rubbery. It's so slimy you can't hold on.

A lambskin condom, that's just plain old intestine.

You can see what I'm up against.

You let go for a second and you're gutted.

You swim for the surface, for a breath, and you're gutted.

You don't swim and you drown.

It's a choice between being dead right now or a minute from right now.

What my folks will find after work is a big naked fetus, curled in on itself. Floating in the cloudy water of their backyard pool. Tethered to the bottom by a thick rope of veins and twisted guts. The opposite of a kid hanging himself to death while he jacks off. This is the baby they brought home from the hospital 13 years ago. Here's the kid they hoped would snag a football schol?arship and get an MBA. Who'd care for them in their old age. Here's all their hopes and dreams. Floating here, naked and dead. All around him, big milky pearls of wasted sperm.

Either that or my folks will find me wrapped in a bloody towel, collapsed halfway from the pool to the kitchen tele?phone, the ragged, torn scrap of my guts still hanging out the leg of my yellow?striped swim trunks.

What even the French won't talk about.

That big brother in the Navy, he taught us one other good phrase. A Russian phrase. The way we say, "I need that like I need a hole in my head..., " Russian people say, "I need that like I need teeth in my asshole......

Mne eto nado kak zuby v zadnitse.

Those stories about how animals caught in a trap will chew off their leg, well, any coyote would tell you a couple bites beats the hell out of being dead.

Hell ... even if you're Russian, someday you just might want those teeth.

Otherwise, what you have to do is?you have to twist around. You hook one elbow behind your knee and pull that leg up into your face. You bite and snap at your own ass. You run out of air and you will chew through anything to get that next breath.

It's not something you want to tell a girl on the first date. Not if you expect a kiss good night. If I told you how it tasted, you would never, ever again eat calamari.

It's hard to say what my parents were more disgusted by: how I'd got in trou?ble or how I'd saved myself. After the hospital, my mom said, "You didn't know what you were doing, honey. You were in shock." And she learned how to cook poached eggs.

All those people grossed out or feeling sorry for me....

I need that like I need teeth in my asshole.

Nowadays, people always tell me I look too skinny. People at dinner parties get all quiet and pissed off when I don't eat the pot roast they cooked. Pot roast kills me. Baked ham. Anything that hangs around inside my guts for longer than a couple of hours, it comes out still food. Home-cooked lima beans or chunk light tuna fish, I'll stand up and find it still sitting there in the toilet.

After you have a radical bowel resec?tioning, you don't digest meat so great. Most people, you have five feet of large intestine. I'm lucky to have my six inch?es. So I never got a football scholarship. Never got an MBA. Both my friends, the wax kid and the carrot kid, they grew up, got big, but I've never weighed a pound more than I did that day when I was 13.

Another big problem was my folks paid a lot of good money for that swim?ming pool. In the end my dad just told the pool guy it was a dog. The family dog fell in and drowned. The dead body got pulled into the pump. Even when the pool guy cracked open the filter casing and fished out a rubbery tube, a watery hank of intestine with a big orange vita?min pill still inside, even then my dad just said, "That dog was fucking nuts."

Even from my upstairs bedroom window, you could hear my dad say, "We couldn't trust that dog alone for a second...."

Then my sister missed her period.

Even after they changed the pool water, after they sold the house and we moved to another state, after my sister's abortion, even then my folks never men?tioned it again.

Ever.

That is our invisible carrot.

You. Now you can take a good, deep breath.

I still have not.

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