domingo, 18 de setembro de 2011

CONAN - O BÁRBARO

     

     Isso é uma crítica de um filme e este é o primeiro parágrafo, você o está lendo. Essa é a parte onde eu introduzo o texto: "Assistir a este rebot de Conan é em muito sentidos, uma experiência memorável, que durante sua duração, te levará a refletir e pensar na vida como um todo e em suas motivações como ser humano. Quem for ao cinema conferir o filme, sairá de lá um ser humano diferente, um ser humano melhor eu espero. E se prender a tais reflexões é a única saída, já que, conseguir se concentrar em filme tão mal roteirizado, montado, atuado, dirigido, fotografado e finalizado é um feito simplesmente bárbaro!" No começo eu explorei o humor através do duplo sentido das minhas colocações, que vieram a se contrastar com minha real opinião sobre o filme em questão. Aqui é o fim do primeiro parágrafo, você acabou de terminá-lo.

      E ai? Chato né? Quando alguém fica te explicando o óbvio o tempo todo duvidando da sua inteligência? É ruim certo? Se você achou chato eu ter feito isto só nesse parágrafo ai, imagina ter que ver um filme de quase duas horas em que isso acontece durante todo o tempo?! Pois assim é ver Conan - o bárbaro, um filme que te trata como se você tivesse acabado de ligar a Discovery Kids. Uma Discovery Kids gore, é verdade, mas convenhamos, violência e sangue gratuitos não fazem sozinhos um filme ser melhor.


     Ah sim, a sinopse. Conan é um garoto nascido da guerra e já cedo perde o pai e todo seu vilarejo para Khalar Singh (Stephen Lang), que busca as partes de uma coroa com poderes místicos que junto com o sacrifício de uma jovem de sangue puro, trará sua esposa, uma poderosa feiticeira, de volta dos mortos. O garoto cresce e vira um poderoso guerreiro (Jason Mamoa) em busca de vingança contra Khalar, que por sua vez esta prestes a achar a jovem que precisa para terminar o ritual, usando da traiçoeira filha Marique (Rose McGowan), que também é uma feiticeira, para encontrar esta garota chamada Tamara (Rachel Nichols). 


     Mais uma vez temos aqui o clássico exemplo de que muitos roteiristas trabalhando em um filme geram um encontro de idéias que podem acabar se desgastando. Aqui, nenhuma das idéias deve ter sobrevivido a colisão. Não que os roteiristas do filme sejam os melhores profissionais na sua área, afinal Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer são culpados também pelos “roteiros" de Dylan Dog whatever e Sahara, assim como Sean Hood, cujo único outro filme que roteirizou foi Halloween: ressurreição. Só para vocês terem uma idéia da qualidade do trabalho pregresso desses caras. Enfim, o filme começa de maneira previsível com uma narração em off explicando as origens da tal coroa mágica e só então vemos o nascimento de Conan. E depois de assistirmos ao pai do cimério Corin (Ron Perlman) literalmente rasgar a barriga da esposa e arrancar Conan de lá, já temos uma idéia de como será o filme dali em diante.


     A partir daí o filme segue no piloto automático, todo e qualquer diálogo se dá em função de explicar o que acabou de acontecer, ou pior, o que está acontecendo. Em certa cena mais para o final, em um plano muito aberto, vemos Conan e um ladrão observando Khalar e seus capangas atravessando uma encosta em direção a entrada de uma caverna, até que Conan diz, de maneira muito inteligente e provando o alto nível de perspicácia do personagem nas mãos dos roteiristas, o seguinte: "Eles estão indo para aquela caverna!". Assim seria legal que alguém tivesse batido um papo com o diretor Marcus Nispel, outro cujo currículo o entrega, e lhe explicado a redundância contida não só nessa, mas em várias outras cenas. 


     E sim, temos que falar da direção de Nispel, que parece ter em mente que qualquer cena de ação envolvendo Conan tenha que ser em um cenário fechado, com múltiplos capangas ou monstros a serem esmigalhados, com um "chefão" para se derrotar no final e um objeto ou pessoa que deve ser protegido enquanto todo o resto se desenrola. Assim, depois da terceira vez que vemos esta estrutura um uma cena de luta, é inevitável aquele suspiro de impaciência, já que já sabemos exatamente o que vai acontecer. Mas Nispel não para por ai. Em dado momento ele resolve investir em uma luta diferente, dentro de um barco, onde Conan pode lutar com quem quiser a vontade. O problema da cena? É que ela é totalmente irrelevante para o filme! Nada acontece nela que não seja a luta, nada muda do seu começo até seu fim, é simplesmente a vontade do cineasta (que vergonha chamá-lo assim) de dar uma mexida no filme. 


     E claro que há um romance totalmente forçado entre Conan e Tamara, que em dez minutos passam do ódio ao sexo animal sem pestanejar. E pior ainda é constatar que depois de matar dezenas de homens e de urrar a torto e a direito protegendo a garota, o nosso herói deixe que a mesma ande desprotegida por uma floresta (uma floresta no meio dos rochedos? Não era uma praia? pois é...) só porque preferiu tirar uma "sonequinha". 

     Não vale citar muito o elenco. Jason Mamoa poderia até ter algum carisma, se soubesse atuar, mas o ator só sabe é fechar o cenho e grunhir o que fala através do dentes cerrados. Ah sim, os dentes de Mamoa continuam me irritando, já que novamente ele encarna um guerreiro selvagem e brutamontes que deve fazer clareamento dental semanalmente, levando em conta seu personagem no seriado Game of Thrones. Rose McGowan é a que mais chama atenção, não por se sair extremamente bem, mas por que parece ser a única se divertindo fazendo seu papel, o que torna Marique a única personagem minimamente interessante em tela, mesmo que assim como os outros, ela seja totalmente desperdiçada. Stephen Lang torce a boca de novo e entrega outro vilão genérico e canastrão. Mas ao contrário de seu Quaritch em Avatar, Khalar não convence nunca como personagem, pois suas caretas e gritos em excesso o tornam uma caricatura mal feita. Me recuso a descrever a falta de performance de Rachel Nichols, que não desenvolve química alguma seja com Conan, com o filme, o público ou mesmo com o oxigênio a sua volta.


     Tecnicamente falando o filme não é de todo incompetente. A trilha é nula e o sound design previsível, já os efeitos fazem sua parte, embora vez ou outra sejamos lembrados de que não estão realmente ali. A direção de arte, da qual se espera alguma coisa cumpre bem seu papel, mas não tem destaques, é tudo comum. Ah claro, os seres humanos, estes sacos de sangue dispensáveis. Não é preciso mais que um peteleco para que voe um jorro de sangue das centenas de vítimas durante o filme. E na verdade, assumindo a galhofa e estilo trash do longa, está é a parte que mais se adéqua ao funcionamento da produção. Mas quando casuais litros de sangue são o destaque de um filme, não é bom esperar muito mais de todo o resto.

     Terminado o filme e, portanto, as preces, temos um longa que como já dito é em todo, mal feito. Na verdade, feito por muitos incompetentes, que além de tudo, resolveram converter o filme para 3D, o que obviamente torna tal formato dispensável já que assim como o roteiro, a direção e as performances, a terceira dimensão não tem profundidade alguma. Seria muito mais útil para se assistir o longa, se em vez dos óculos, nos dessem na entrada um bico e uma mamadeira.


P.S. COM SPOILER - Senhores roteiristas, existem infinitas maneiras de se dar fim a um vilão. Um pedido pessoal: Parem de jogá-los de penhascos! Pois o mérito da derrota não é dos heróis e sim da gravidade!!!

NOTA: 1/10

2 comentários:

  1. Crítica divertida. E boa! ;)

    O filme é uma bomba! Chato do início ao fim.

    http://brazilianmovieguy.blogspot.com/2011/09/conan-o-barbaro.html

    Abraço,
    Thomás

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  2. Thomás Rodrigues Boeira19 de setembro de 2011 às 21:50

    P.S.:Estava quase dormindo e postei anônimo. :P

    hehehe

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